O governo federal não cansa de festejar o bom desempenho da economia. Mas o “bom” é relativo.
De acordo com relatório recente do Fundo Monetário Internacional (FMI), o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, este ano, deve ser de 3,3%. Em abril a estimativa era de crescimento de 3,7%.
A retração, de acordo com o FMI, é consequência dos juros altos e da crise política, que minam os investimentos.
Ainda de acordo com o Fundo, o crescimento médio mundial, no mesmo período, deve ser de 4,3%, ou seja, 30,3% superior ao do Brasil! A América Latina deverá crescer 4,1%, com destaque para Venezuela (7,8%), Argentina (7,5%) e Uruguai (6%). O Brasil é um dos lanterninhas.
Com relação a outros emergentes importantes, que disputam, com o Brasil, o recebimento de investimentos internacionais, nosso país ainda fica atrás. E bem atrás. O PIB da China deve crescer 9%, o da Índia 7,1% e o da Rússia 5,5%.
O FMI destaca ainda que a China responde hoje por 28% do crescimento mundial. A Índia já chega a 10%.
A expansão comedida da economia brasileira não deve, ao contrário do que faz o governo, ser comemorada. Na verdade, frente ao potencial produtivo do agronegócio brasileiro, e à demanda aquecida do mercado internacional, o crescimento de 3,3% é, no mínimo, desastroso. Seria cômico, se não fosse trágico.
Países que têm feito a lição de casa, estão realmente colhendo bons frutos frente ao aquecimento do comércio global. No caso do Brasil, o bom desempenho da economia mundial apenas impede que sejam obtidos resultados desastrosos internamente. (FTR)