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A safra 2024/25 de algodão no Brasil está totalmente semeada. Nos principais estados produtores, Mato Grosso e Bahia, a semeadura foi concluída na semana do dia 23/2. Segundo a Conab, a área semeada cresceu em relação à safra 2023/24, totalizando 2,04 milhões de hectares, frente a 1,94 milhão da temporada anterior, aumento de 5,1%.
Com o aumento da área cultivada, a produção de algodão está estimada para crescer, de 8,9 milhões de toneladas na safra 2023/24 para 9,2 milhões de toneladas, um incremento de 3,3%. Da mesma forma, a produção de algodão em pluma deve atingir 3,8 milhões de toneladas, enquanto a de caroço de algodão deve alcançar 5,4 milhões de toneladas.
Com a expectativa de maior produção, a exportação também deve crescer. Em 2024, a exportação de algodão em pluma foi recorde, com 2,8 milhões de toneladas. Para 2025, a Conab estima outro recorde, com os embarques chegando a 3,0 milhões de toneladas.
Em janeiro e fevereiro deste ano, recordes foram batidos, com as maiores quantidades de algodão em pluma já exportadas para esses dois meses. A figura 1 apresenta as exportações para esse período desde 2019.
Figura 1.
Exportação de algodão em pluma pelo Brasil, em mil toneladas.
Fonte: Secex / Elaboração: Scot Consultoria.
O cenário positivo não para por aí. Dados preliminares da balança comercial de março, divulgados pela Secex, indicam um desempenho superior ao do mesmo período do ano passado. Em março de 2024, o Brasil exportou, em média, 11,4 mil toneladas por dia, enquanto neste ano, a média diária subiu para 16,5 mil toneladas. Desse modo, há grandes expectativas para que, em 2025, ocorra um recorde de exportação de algodão.
Se, por um lado, o cenário de exportação elevada representa um fator positivo para o setor, por outro, o preço pago aos exportadores brasileiros é desanimador, quando comparado ao do ano passado. Nos primeiros oito dias úteis de março, o preço pago foi de US$1657,8/t, enquanto no mesmo período do ano passado, o preço foi de US$1925,0/t, redução de 13,9% no preço pago por tonelada.
Ao longo do ano passado e neste ano, na média geral, os preços pagos aos exportadores seguiram a tendência de quedas nas cotações futuras do algodão na ICE (Intercontinental Exchange), o que pode ser observado na figura 2.
Figura 2.
Preço futuro do algodão em centavos de dólares por libra-peso (cUSD per pound), no primeiro dia útil de cada mês, na ICE.
Fonte: Intercontinental Exchange / Elaboração: Scot Consultoria
Observe na figura 3 o comportamento dos preços internos.
Figura 3.
Preço do algodão em pluma, por arroba, em R$ e US$, na média das principais praças de Mato Grosso.
Fonte: IMEA, BCB / Elaboração: Scot Consultoria
Os preços em dólar apresentaram queda a partir de março, por conta da grande influência dos preços vigentes nas bolsas norte-americanas. A partir de meados de janeiro desse ano, passaram a se recuperar levemente, aparentemente pela melhora dos prêmios de exportação. Por outro lado, os preços em reais apresentaram grande variação, pela constante apreciação/depreciação do real frente ao dólar. Destaca-se, a elevação interna dos preços em reais durante dezembro, momento em que o dólar atingiu patamares superiores a R$6,00.
Observe na tabela 1 a estimativa de produção, consumo e os estoques finais de algodão em pluma, segundo a Conab e a ANEA (Associação Nacional dos Exportadores de Algodão).
Tabela 1.
Estimativas para o algodão em pluma, pela Conab e ANEA, em mil toneladas.
ANEA | CONAB | |||||
---|---|---|---|---|---|---|
2024 | 2025 | var. | 2023/24 | 2024/25 | var. | |
PRODUÇÃO | 3.670,0 | 3.800,0 | 3,5% | 3.701,5 | 3.822,0 | 3,3% |
CONSUMO | 700,0 | 710,0 | 1,4% | 695,0 | 710,0 | 2,2% |
ESTOQUES FINAIS | 2.384,0 | 2.505,0 | 5,1% | 2.400,5 | 2.543,5 | 6,0% |
Fonte: ANEA, Conab / Elaboração: Scot Consultoria
Destaque para os estoques finais, que são os maiores dos últimos seis anos. Além disso, no cenário internacional, as perspectivas também são de maiores estoques finais para o algodão, além de uma produção em amplo crescimento. Veja na tabela 2 as perspectivas globais.
Tabela 2.
Estimativas para o algodão em pluma, pelo USDA, em milhões de fardos de 480 libras.
MUNDO | ESTADOS UNIDOS | |||||
---|---|---|---|---|---|---|
2023/24 | 2024/25 | var. | 2023/24 | 2024/25 | var. | |
PRODUÇÃO | 112,98 | 120,96 | 7,1% | 12,07 | 14,41 | 19,4% |
CONSUMO | 114,78 | 116,54 | 1,5% | 1,85 | 1,70 | -8,1% |
ESTOQUES FINAIS | 73,71 | 78,33 | 6,3% | 3,15 | 4,90 | 55,6% |
BRASIL | CHINA | |||||
---|---|---|---|---|---|---|
2023/24 | 2024/25 | var. | 2023/24 | 2024/25 | var. | |
PRODUÇÃO | 14,57 | 17,00 | 16,7% | 27,35 | 31,75 | 16,1% |
CONSUMO | 3,16 | 3,30 | 4,4% | 38,90 | 37,50 | -3,6% |
ESTOQUES FINAIS | 3,11 | 3,82 | 22,8% | 36,72 | 37,67 | 2,6% |
Fonte: USDA / Elaboração: Scot Consultoria
Na maioria dos países, espera-se que produção cresça mais do que o consumo. Nos Estados Unidos, espera-se uma queda no consumo. Além disso, a China foi a maior importadora mundial de algodão em 2023/24, mas, neste ano, as importações devem cair pela metade devido ao aumento da produção interna e à redução da demanda.
Para outros grandes produtores têxteis, como Bangladesh, Vietnã, Paquistão e Turquia, o USDA projetou um aumento nas importações. No entanto, esse crescimento não é suficiente para compensar o avanço da produção nem a queda na demanda em outros países.
Nesse contexto, as projeções dos estoques finais globais aumentaram em 6,3% para o ciclo 2024/25, frente ao ciclo 2023/24.
Dessa forma, interpretamos um mercado global do algodão bem ofertado, com tendência de pressão baixista nos preços.
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