Apesar dos esforços que já duram mais de uma década entre rodadas de negociações, a Rodada de Doha, iniciada na semana passada, não deverá trazer nenhuma novidade ao setor primário brasileiro.
As discussões são as velhas conhecidas entre as diferentes nações: países industrializados querem maior abertura aos seus produtos e países produtores de matéria-prima exigem menores tarifas à importação de suas
commodities, sem nunca chegar a uma conclusão.
Os produtos mais “cobiçados” para a exportação brasileira são grãos, etanol, carnes e leite. No caso do etanol, os EUA nem cogitou a hipótese de redução da tarifa de US$0,54 centavos/galão imposta à importação do combustível. A União Européia fez questão de “salvaguardas” onde 4% dos produtos seriam considerados sensíveis e por fim taxados normalmente de acordo com seus interesses locais.
A Índia e a China, maiores importadores potenciais, com economias em franca expansão, não abriram mão de suas alíquotas de 12% sobre os produtos primários.
Até países com histórico de parcerias comerciais, como é o caso da Argentina no Mercosul (Mercado Comum dos Países do Cone Sul), chegam a impasses nas negociações de suas alíquotas. A redução nas tarifas de importação de produtos industrializados de 54% entre Brasil e Argentina dificilmente será aprovada, já que a cláusula de salvaguarda de 14% de seus produtos dificilmente será aprovada pela OMC (Organização Mundial do Comércio).
De qualquer maneira, a diminuição das alíquotas de importação aos produtos primários reflete uma imensa oportunidade ao Brasil. A produção brasileira de carnes, etanol, soja e milho dificilmente encontra concorrentes à altura capazes de abastecer na escala e qualidade encontradas no país. Resta aos negociadores brasileiros encontrarem soluções aos impasses internacionais. (JA)
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